IMERSÃO APOCALIPSE – O ARREBATAMENTO DA IGREJA: UM ESTUDO BÍBLICO NA VISÃO PRÉ-TRIBULACIONISTA
O arrebatamento da Igreja é uma das promessas mais poderosas e consoladoras do Novo Testamento. Não se trata de especulação, ficção religiosa ou tentativa de marcar datas. Trata-se da bendita esperança de que Jesus Cristo voltará para buscar todos aqueles que verdadeiramente lhe pertencem.
“Depois, com eles, nós, os que ainda estivermos vivos, seremos arrebatados nas nuvens para encontrar o Senhor nos ares. Então estaremos com o Senhor para sempre.”
1 Tessalonicenses 4:17
Nós, pré-tribulacionistas, cremos que o arrebatamento acontecerá antes da Grande Tribulação. Nesse momento glorioso, os mortos em Cristo ressuscitarão, os salvos que estiverem vivos serão transformados e toda a Igreja será levada para encontrar o Senhor nos ares.
O centro dessa doutrina não é apenas a retirada da Igreja da Terra. É a união definitiva entre Cristo e seu povo. É o momento em que a fé dará lugar à visão, a espera terminará e estaremos para sempre na presença daquele que amamos.
O arrebatamento começa com Cristo descendo do céu, continua com a Igreja subindo aos ares e termina com os salvos para sempre na presença do Senhor.
O significado da palavra arrebatamento
A palavra grega traduzida como “seremos arrebatados” é harpázō, ἁρπάζω.
Ela significa tomar repentinamente, arrancar, retirar com força ou transportar rapidamente. Em 1 Tessalonicenses 4:17, o verbo está na voz passiva. Isso significa que a Igreja não subirá por sua própria capacidade. Ela será tomada pelo poder irresistível de Deus.
O mesmo verbo aparece quando Filipe é transportado pelo Espírito em Atos 8:39, quando Paulo fala de alguém arrebatado ao terceiro céu em 2 Coríntios 12:2-4 e quando o filho da mulher é arrebatado para Deus em Apocalipse 12:5.
Na tradução latina, foi empregado o termo rapiemur, de onde se desenvolveu a palavra “rapto”. Portanto, mesmo que o substantivo “arrebatamento” não apareça em algumas traduções, o acontecimento está claramente descrito no texto bíblico. Cristo vem buscar sua Igreja.
Outra palavra importante é parousía, παρουσία, que significa chegada, vinda e presença. Nós entendemos a Segunda Vinda de Cristo como um grande acontecimento escatológico composto por duas fases distintas:
- Cristo vem buscar sua Igreja, (arrebatamento).
- Cristo se manifesta publicamente com sua Igreja, (vinda gloriosa).
Essas duas fases não devem ser confundidas. Embora estejam relacionadas à volta de Jesus, elas possuem propósitos, características e acontecimentos diferentes.
A terceira palavra fundamental é átomos, ἄτομος, empregada em 1 Coríntios 15:52. Ela significa algo indivisível, um instante impossível de ser fracionado. A transformação do corpo não será gradual. Acontecerá em um momento, num abrir e fechar de olhos.
Também encontramos a palavra apántēsis, ἀπάντησις, traduzida como “encontro”. Ela aparece em 1 Tessalonicenses 4:17 para descrever a Igreja saindo ao encontro de Cristo nos ares.
Arrebatamento e volta gloriosa: duas fases distintas
A Bíblia apresenta a volta de Cristo como um acontecimento certo, glorioso e irresistível. Entretanto, na compreensão pré-tribulacionista, essa volta ocorre em duas fases distintas: o arrebatamento da Igreja e a manifestação gloriosa de Cristo.
No arrebatamento:
- Cristo vem para buscar sua Igreja: João 14:2-3; 1 Tessalonicenses 4:16-17
- Os mortos em Cristo ressuscitam: 1 Tessalonicenses 4:16; 1 Coríntios 15:52
- Os salvos vivos são transformados: 1 Coríntios 15:51-53; Filipenses 3:20-21
- A Igreja é retirada da Terra: 1 Tessalonicenses 4:17; Apocalipse 3:10
- O encontro acontece nos ares: 1 Tessalonicenses 4:17
- Cristo não é apresentado descendo até o monte das Oliveiras: 1 Tessalonicenses 4:16-17; contraste com Zacarias 14:4
- O momento permanece desconhecido: Mateus 24:36,42,44; Marcos 13:32-33
- O acontecimento é iminente: Filipenses 3:20; Tito 2:13; Tiago 5:8-9; Apocalipse 22:20
- A Igreja é levada à presença do Senhor: João 14:3; 1 Tessalonicenses 4:17
- O mundo é surpreendido pela retirada dos salvos: Mateus 24:37-44; 1 Tessalonicenses 5:2-3; Lucas 17:26-30
O arrebatamento é uma promessa dirigida à Igreja. Seu foco é Cristo encontrando sua Noiva e levando-a para estar consigo.
No arrebatamento, Jesus vem para os santos.
Na manifestação gloriosa:
- Cristo vem com sua Igreja: Colossenses 3:4; 1 Tessalonicenses 3:13; Judas 14; Apocalipse 19:14
- Sua vinda será pública e visível: Mateus 24:27,30; Lucas 21:27
- Todo olho o verá: Apocalipse 1:7
- Ele descerá à Terra: Atos 1:9-11; Zacarias 14:4-5
- Seus pés tocarão o monte das Oliveiras: Zacarias 14:4
- O Anticristo será derrotado: 2 Tessalonicenses 2:8; Apocalipse 19:19-20
- As nações serão julgadas: Joel 3:12-14; Mateus 25:31-46; Apocalipse 19:15
- Satanás será preso: Apocalipse 20:1-3
- Cristo estabelecerá seu Reino Milenar: Apocalipse 20:4-6; Daniel 7:13-14,27
- A criação reconhecerá Jesus como Rei dos reis e Senhor dos senhores: Filipenses 2:10-11; Apocalipse 17:14; 19:16; Zacarias 14:9
A manifestação gloriosa acontecerá depois da Grande Tribulação e será acompanhada de sinais cósmicos, juízo e poder. Seu foco não será retirar a Igreja, mas revelar o Rei, julgar o mundo e estabelecer o governo de Cristo sobre a Terra.
Na manifestação gloriosa, Jesus vem com os santos.
Comparação entre as duas fases
| Arrebatamento | Volta gloriosa |
|---|---|
| Cristo vem para a Igreja | Cristo vem com a Igreja |
| Acontece antes da Tribulação | Acontece depois da Tribulação |
| O encontro ocorre nos ares | Cristo desce à Terra |
| É iminente | É precedida por sinais específicos |
| O momento é desconhecido | O momento será reconhecido pelos acontecimentos proféticos |
| Envolve os salvos | Será vista pelas nações |
| Traz consolo e esperança à Igreja | Traz juízo ao mundo e estabelece o Reino |
| Os mortos em Cristo ressuscitam | Os santos reinam com Cristo |
| A Igreja é retirada | A Igreja retorna com Cristo |
| Cristo recebe sua Noiva | Cristo se manifesta como Rei e Juiz |
Essa distinção é essencial para compreender corretamente a profecia bíblica. O arrebatamento não é a mesma coisa que a manifestação gloriosa. São acontecimentos relacionados, mas separados por um período de juízo e tribulação.
Figuras do arrebatamento no Antigo Testamento
Os acontecimentos do Antigo Testamento não são o arrebatamento da Igreja, mas apresentam figuras da capacidade divina de retirar ou preservar pessoas antes do juízo.
Enoque andou com Deus e foi levado sem experimentar a morte. “Andando em comunhão com Deus, Enoque desapareceu, porque Deus o levou para junto de si.” Gênesis 5:24
Hebreus 11:5 confirma que Enoque foi levado para o céu sem experimentar a morte. Ele foi retirado antes do dilúvio, enquanto Noé permaneceu na Terra e foi preservado durante o juízo.
Ló também foi retirado antes da destruição de Sodoma. O anjo declarou que nada poderia fazer enquanto Ló não estivesse em segurança. Leia Gênesis 19:15-22.
Jesus relacionou os dias de Ló com sua volta em Lucas 17:28-30. O padrão apresentado é claro: o justo é retirado, a restrição termina e o juízo é executado.
Elias também foi levado sobrenaturalmente ao céu, conforme 2 Reis 2:11. Esses acontecimentos não provam isoladamente o pré-tribulacionismo, mas demonstram que a retirada sobrenatural de pessoas da Terra está presente na revelação bíblica.
1. O arrebatamento será iminente
Iminência significa que Cristo pode buscar sua Igreja a qualquer momento, sem que outro sinal profético precise obrigatoriamente acontecer antes.
Isso não nos autoriza a afirmar que Jesus voltará hoje, nem permite marcar datas. Significa que sua vinda pode acontecer a qualquer momento e que, por isso, a Igreja deve permanecer preparada todos os dias.
“Portanto, vigiem, pois não sabem em que dia virá o seu Senhor.” Mateus 24:42
Jesus comparou sua vinda à chegada inesperada de um senhor que retorna de uma viagem: “Estejam vestidos, prontos para servir, e mantenham suas lâmpadas acesas, como se esperassem seu senhor voltar da festa de casamento. [...] Estejam também sempre preparados, pois o Filho do Homem virá quando menos esperam.” Lucas 12:35-36,40
Os apóstolos não ensinaram a Igreja a viver procurando primeiro o Anticristo. Eles ensinaram os cristãos a aguardar o próprio Cristo: “Nós, porém, somos cidadãos do céu, onde vive o Senhor Jesus Cristo, e aguardamos ansiosamente que ele volte como nosso Salvador.” Filipenses 3:20
Paulo chamou essa expectativa de maravilhosa ou bendita esperança: “Enquanto aguardamos esperançosamente o dia em que se revelará a glória de nosso grande Deus e Salvador Jesus Cristo.” Tito 2:13
Tiago ensinou que essa expectativa deveria produzir perseverança: “Vocês também devem esperar com paciência. Fortaleçam o coração, pois a vinda do Senhor está próxima.” Tiago 5:8
E a Bíblia termina com a promessa de Jesus e a resposta da Igreja: “Aquele que é a testemunha fiel de todas essas coisas diz: ‘Sim, venho em breve!’. Amém! Vem, Senhor Jesus!” Apocalipse 22:20
Dentro da compreensão pré-tribulacionista, se o arrebatamento dependesse obrigatoriamente da manifestação do Anticristo, da confirmação da aliança de sete anos ou da abominação da desolação, a Igreja poderia identificar uma sequência necessária e calcular aproximadamente a proximidade desse encontro.
Contudo, Jesus ordenou que seus discípulos permanecessem vigilantes precisamente porque não conhecem o momento de sua chegada.
“Vocês também devem estar preparados o tempo todo, pois o Filho do Homem virá quando menos esperam.” Mateus 24:44
A iminência não significa ausência de sinais proféticos no mundo. Significa que nenhum deles precisa cumprir-se obrigatoriamente para que Cristo arrebate sua Igreja.
Essa esperança não deve produzir medo, ansiedade ou especulação. Deve gerar vigilância, santidade, fidelidade e urgência missionária.
A profecia não foi entregue para marcarmos o dia da volta, mas para permanecermos preparados todos os dias.
A pergunta da iminência não é: “Será que Jesus voltará hoje?”. A pergunta correta é: “Se ele voltar hoje, encontrará minha vida preparada?”.
Cada dia pode ser o dia em que a trombeta soará, os mortos em Cristo ressuscitarão e os salvos serão levados para encontrar o Senhor nos ares.
2. O arrebatamento será rápido
“Todos seremos transformados! Isso acontecerá num momento, num abrir e fechar de olhos, ao som da última trombeta.” 1 Coríntios 15:51-52
Em um instante indivisível:
- Cristo dará a ordem: 1 Tessalonicenses 4:16
- Os mortos em Cristo ressuscitarão: 1 Tessalonicenses 4:16; 1 Coríntios 15:52
- Os salvos vivos serão transformados: 1 Coríntios 15:51-53; Filipenses 3:20-21
- Toda a Igreja será arrebatada: 1 Tessalonicenses 4:17; 1 Coríntios 15:51
- Os salvos encontrarão Cristo nos ares: 1 Tessalonicenses 4:17
Não haverá tempo para decisões tardias. A transformação será imediata e sobrenatural.
Quem pretende se preparar quando a trombeta tocar já estará atrasado. A preparação acontece antes do som.
O arrebatamento não será uma longa sequência de acontecimentos observada lentamente pela humanidade. Será uma intervenção repentina de Deus. Em um único instante, corpos marcados pela morte serão revestidos de vida, e os salvos vivos serão transformados para sempre.
3. O arrebatamento será para a Igreja, por tanto seletivo
O arrebatamento distinguirá aqueles que estão em Cristo dos que permanecem fora dele.
Paulo não afirma simplesmente que “os mortos” ressuscitarão durante o arrebatamento. Ele fala especificamente dos mortos em Cristo. “Primeiro, os cristãos que já morreram ressuscitarão.”1 Tessalonicenses 4:16
Participarão do arrebatamento:
- Os salvos que morreram em Cristo: 1 Tessalonicenses 4:14-16; 1 Coríntios 15:52
- Os salvos que estiverem vivos: 1 Tessalonicenses 4:17; 1 Coríntios 15:51-52
- Todos os verdadeiros membros do Corpo de Cristo: 1 Coríntios 12:12-13,27; Efésios 5:23,30; 2 Tessalonicenses 2:1
A fidelidade de cada crente será avaliada no Tribunal de Cristo. O arrebatamento, contudo, não é uma recompensa conquistada por desempenho. É a consumação da salvação daqueles que pertencem a Jesus.
O arrebatamento será seletivo, mas não elitista. Seremos arrebatados porque pertencemos a Cristo, não porque alcançamos uma categoria espiritual superior.
4. O arrebatamento será secreto
Chamar o arrebatamento de secreto não significa afirmar que será silencioso. 1 Tessalonicenses 4:16 menciona um grito de comando, a voz do arcanjo e a trombeta de Deus. A Bíblia não explica claramente quem ouvirá esses sons nem como serão percebidos pelo mundo.
A expressão técnica “arrebatamento secreto” não aparece nos escritores anteriores à Reforma com a mesma formulação usada atualmente. O que encontramos são variações como:
- Reunião antes da tribulação: 1 Tessalonicenses 1:10; 5:9; Apocalipse 3:10
- Santos tomados para o Senhor: 1 Tessalonicenses 4:16-17; 2 Tessalonicenses 2:1
- Transferência ao paraíso: João 14:2-3; 1 Tessalonicenses 4:17
- Preservação diante do Anticristo: 2 Tessalonicenses 2:6-8; Apocalipse 3:10
- Livramento da confusão mundial: Lucas 21:34-36; 1 Tessalonicenses 5:3-9
Chamamos o arrebatamento de secreto porque:
- O mundo será surpreendido: Mateus 24:42-44; 1 Tessalonicenses 5:2-3
- O encontro entre Cristo e a Igreja acontecerá nos ares: 1 Tessalonicenses 4:17
- Cristo não é apresentado descendo até o solo: 1 Tessalonicenses 4:16-17
- A ação é dirigida aos que estão em Cristo: 1 Tessalonicenses 4:16; 1 Coríntios 15:22-23
- É distinto da manifestação pública diante das nações: Apocalipse 1:7; Mateus 24:30; Apocalipse 19:11-16
- A transformação foi revelada como um mistério: 1 Coríntios 15:51-52
“Eu lhes revelo um segredo maravilhoso: nem todos morreremos, mas todos seremos transformados.” 1 Coríntios 15:51
5. O arrebatamento será inicial e desencadeador
O arrebatamento encerrará a missão histórica da Igreja nesta dispensação e abrirá caminho para os acontecimentos proféticos finais.
“E vocês sabem o que o impede de ser revelado antes da hora. Pois essa ilegalidade já está em ação secretamente, e assim permanecerá até que aquele que a detém se afaste. Então o homem da perversidade será revelado, mas o Senhor Jesus o matará com o sopro de sua boca e o destruirá com o esplendor de sua vinda.”
2 Tessalonicenses 2:6-8, NVT
No pré-tribulacionista, entendemos que “aquele que o detém” está relacionado à ação restritiva do Espírito Santo por meio da Igreja. Enquanto ela permanece na Terra, cheia do Espírito e exercendo sua missão, constitui uma barreira espiritual contra a manifestação plena do homem da iniquidade.
Isso não significa que o Espírito Santo deixará a Terra após o arrebatamento, mas sua plenitude não estará mais dentro do homem, mas em alguns momentos com as pessoas. Durante a Tribulação, muitas pessoas se converterão e serão salvas, conforme Apocalipse 7:9-14. E ninguém pode nascer de novo sem a atuação do Espírito Santo, como Jesus ensinou em João 3:5-8.
O que será retirado não é a presença do Espírito Santo, mas a plenitude do Espírito Santo, essa forma específica de restrição exercida por meio da Igreja. Quando a Igreja for arrebatada, o homem da iniquidade poderá ser revelado e os acontecimentos proféticos finais avançarão em direção à manifestação gloriosa de Cristo.
O arrebatamento preparará o cenário para:
- A manifestação do homem da iniquidade: 2 Tessalonicenses 2:3-4,8-10
- A reorganização política mundial: Daniel 2:41-44; 7:7-8,23-24; Apocalipse 13:1; 17:12-13
- A confirmação da aliança profética: Daniel 9:27
- A retomada do programa relacionado a Israel: Daniel 9:24-27; Romanos 11:25-27
- Os juízos descritos em Apocalipse: Apocalipse 6:1-17; 8:1–9:21; 16:1-21
- A futura manifestação gloriosa de Cristo: Mateus 24:29-31; 2 Tessalonicenses 1:7-10; Apocalipse 19:11-16
O arrebatamento não produz o mal do mundo nem cria o Anticristo. Ele remove uma barreira que impede a manifestação plena desse sistema de iniquidade.
Depois que a Igreja for retirada, o mundo entrará em uma nova e terrível fase da história. A ausência repentina de milhões de pessoas produzirá perplexidade, medo e instabilidade. Esse cenário abrirá espaço para a ascensão de um líder capaz de oferecer respostas, segurança e uma falsa esperança de paz.
6. O arrebatamento será abençoador e não de juízo
Paulo chama nossa expectativa de “maravilhosa esperança”, também traduzida como “bendita esperança”:
“Enquanto aguardamos esperançosamente o dia em que se revelará a glória de nosso grande Deus e Salvador Jesus Cristo.” Tito 2:13.
Para nós, o arrebatamento não é uma mensagem de medo, mas de esperança. Não aguardamos o domínio do Anticristo, aguardamos a chegada de Cristo. Nossa expectativa não está no caos que virá sobre o mundo, mas no Salvador que virá buscar sua Igreja.
O arrebatamento será abençoador porque:
- Reunirá os salvos: 2 Tessalonicenses 2:1; João 14:2-3
- Ressuscitará os mortos em Cristo: 1 Tessalonicenses 4:16; 1 Coríntios 15:52
- Transformará os crentes vivos: 1 Coríntios 15:51-52; Filipenses 3:20-21
- Vencerá a mortalidade: 1 Coríntios 15:53-54
- Encerrará a corrupção do corpo: 1 Coríntios 15:42-44,50-53
- Levará a Igreja à presença de Cristo: 1 Tessalonicenses 4:17; João 14:3
- Dará início à recompensa dos servos: 1 Coríntios 3:12-15; 2 Coríntios 5:10; Apocalipse 22:12
- Livrará a Igreja da ira vindoura: 1 Tessalonicenses 1:10; 5:9; Apocalipse 3:10
O arrebatamento não mudará apenas o lugar onde estaremos. Mudará definitivamente a condição em que existiremos.
Mas, acima de todas essas bênçãos, existe uma realidade ainda mais preciosa: estaremos com Jesus. O maior presente do arrebatamento não será apenas escapar da ira, receber um corpo glorificado ou entrar no céu. O maior presente será a presença do próprio Senhor.
7. O arrebatamento será pré-tribulacional
Nós cremos que a Igreja será arrebatada antes da Grande Tribulação. Essa convicção não está fundamentada em um único versículo isolado, mas em um conjunto de evidências bíblicas que, quando analisadas em harmonia, apontam para o livramento da Igreja antes do derramamento da ira divina.
A Igreja não foi destinada à ira; “Deus decidiu nos salvar por meio de nosso Senhor Jesus Cristo, não derramar sobre nós sua ira.” 1 Tessalonicenses 5:9
A Bíblia nunca prometeu que a Igreja estaria livre de sofrimentos. Enquanto estiver no mundo, ela enfrentará oposição, perseguição, aflições e tribulações. O próprio Jesus declarou: “Aqui no mundo vocês terão aflições; mas animem-se, pois eu venci o mundo.” João 16:33 Entretanto, precisamos distinguir duas realidades bíblicas. Uma coisa é a tribulação produzida pelo mundo contra os seguidores de Cristo; outra é a ira judicial de Deus que será derramada sobre um mundo rebelde durante o período profético da Grande Tribulação.
A Igreja pode sofrer nas mãos dos homens por causa de sua fidelidade a Cristo, mas não foi destinada a sofrer a ira escatológica de Deus. Ela aguarda Jesus, aquele que “nos livra dos horrores da ira que virá”. “E esperam do céu seu Filho, a quem Deus ressuscitou dos mortos, Jesus, que nos livrou dos horrores da ira que virá.” 1 Tessalonicenses 1:10
A perseguição dos homens prova a fidelidade da Igreja. A ira divina pune a rebelião do mundo. A primeira pode atingir os discípulos de Cristo; a segunda não é o destino da Noiva do Cordeiro.
Guardados da hora da provação
“Eu o protegerei do grande tempo de provação que virá sobre o mundo inteiro para pôr à prova os habitantes da terra.”
Apocalipse 3:10A promessa de Cristo não se limita à proteção da Igreja enquanto ela atravessa a provação. O texto aponta para algo ainda mais profundo: a preservação da própria “hora da provação”, um período determinado que alcançará todo o mundo e colocará à prova aqueles que habitam na Terra.
Na expressão grega tērēsō ek, traduzida como “guardarei da” ou “protegerei do”, a preposição ek transmite a ideia de guardar para fora, preservar da entrada naquele período. Cristo não promete apenas sustentar sua Igreja dentro da hora da provação, mas livrá-la da própria hora que virá sobre o mundo inteiro.
A Igreja pode enfrentar perseguições e aflições ao longo da história, mas essa provação futura possui alcance mundial e natureza judicial. Ela não será dirigida à Noiva de Cristo, mas aos “habitantes da terra”, expressão recorrente em Apocalipse para identificar a humanidade rebelde e resistente a Deus.
Portanto, Apocalipse 3:10 fortalece a esperança pré-tribulacionista: antes que essa hora mundial de juízo comece, Cristo preservará sua Igreja. A promessa não é apenas de proteção durante a tempestade, mas de livramento da hora em que a tempestade cairá sobre o mundo.
Cristo voltará acompanhado pelos santos
Na manifestação gloriosa, Cristo não será apresentado vindo para buscar sua Igreja, mas retornando acompanhado por seus santos. Essa distinção fortalece a compreensão pré-tribulacionista de que a Igreja já terá sido reunida ao Senhor antes de sua manifestação pública diante das nações.
Zacarias apresenta o Senhor descendo para intervir na história, combater as nações e estabelecer seu domínio. Nesse momento, os santos não estão esperando por ele na Terra; eles aparecem vindo com ele. “Então o Senhor, meu Deus, virá, e todos os seus santos estarão com ele.” Zacarias 14:5
Paulo confirma essa realidade: “Que ele fortaleça o coração de vocês e os torne irrepreensíveis e santos diante de nosso Deus e Pai quando nosso Senhor Jesus vier com todos os seus santos.” 1 Tessalonicenses 3:13
Judas, ao recordar a antiga profecia de Enoque, também anuncia que o Senhor não virá sozinho: “Vejam, o Senhor vem com incontáveis milhares de seus santos.” Judas 14
A visão de João completa esse cenário profético. O céu se abre, Cristo aparece como Rei e Juiz, e os exércitos celestiais o seguem: “Vi o céu aberto e, diante de mim, um cavalo branco. Seu cavaleiro se chamava Fiel e Verdadeiro, pois julga com justiça e guerreia. Seus olhos eram como chamas de fogo, e em sua cabeça havia muitas coroas. Tinha escrito um nome que ninguém conhecia, a não ser ele mesmo. Vestia um manto tingido de sangue, e seu título era a Palavra de Deus. Os exércitos do céu, vestidos do linho branco mais puro, seguiam-no em cavalos brancos.” Apocalipse 19:11-14
A diferença entre os dois acontecimentos é clara:
- No arrebatamento, Cristo vem para os santos, e a Igreja sobe para encontrá-lo nos ares.
- Na manifestação gloriosa, Cristo vem com os santos, descendo publicamente em poder e glória para julgar as nações e estabelecer seu Reino.
No primeiro acontecimento, os santos são retirados da Terra e reunidos ao Senhor. No segundo, eles retornam do céu acompanhando o Rei vitorioso.
Portanto, se os santos voltam com Cristo em sua manifestação gloriosa, compreendemos que anteriormente foram reunidos a ele no arrebatamento. Ninguém pode retornar com Cristo se antes não tiver sido levado à presença de Cristo.
A Igreja aparece no céu antes do início dos juízos
A própria estrutura de Apocalipse apresenta uma sequência profética significativa. Nos capítulos 2 e 3, a Igreja aparece na Terra, recebendo diretamente as mensagens de Cristo. A palavra “igreja” é mencionada repetidamente nessas cartas.
A partir do capítulo 4, porém, o cenário muda da Terra para o céu: “Então, enquanto eu olhava, vi no céu uma porta aberta, e a mesma voz que eu tinha ouvido antes falou comigo como som de trombeta. A voz disse: ‘Suba para cá, e eu lhe mostrarei o que acontecerá depois disso’.” Apocalipse 4:1
Nos capítulos 4 e 5, João contempla o trono de Deus e vinte e quatro anciãos assentados em tronos, vestidos de branco e usando coroas de ouro. Esses elementos lembram promessas feitas anteriormente aos vencedores: vestes brancas, coroas e participação no governo de Cristo. “Ao redor do trono havia 24 tronos, e neles estavam sentados 24 anciãos. Todos vestiam roupas brancas e tinham na cabeça coroas de ouro.” Apocalipse 4:4
Somente no capítulo 6 começa a abertura dos selos e o derramamento dos juízos sobre a Terra. Portanto, antes que os juízos se iniciem, João já contempla no céu um grupo redimido, coroado e entronizado diante de Deus.
Mais adiante, Apocalipse 19 apresenta as Bodas do Cordeiro. A Noiva está no céu, preparada e vestida de linho fino, antes da manifestação gloriosa de Cristo: “Alegremo-nos, exultemos e a ele demos glória, pois chegou a hora do casamento do Cordeiro, e sua noiva já se preparou. Ela recebeu linho fino da mais alta pureza para vestir. Pois o linho fino representa as boas obras do povo santo.” Apocalipse 19:7-8
Logo depois, o céu se abre e Cristo retorna como Rei vitorioso. Os exércitos celestiais, vestidos do mesmo linho fino, branco e puro, acompanham o Senhor: “Os exércitos do céu, vestidos do linho branco mais puro, seguiam-no em cavalos brancos.” Apocalipse 19:14
A palavra “igreja” não aparece nos capítulos que descrevem os juízos, entre Apocalipse 6 e 18. Essa ausência, isoladamente, não prova o arrebatamento pré-tribulacional, pois argumentos doutrinários não devem ser construídos apenas sobre o silêncio de um texto.
Entretanto, quando essa ausência é considerada ao lado da estrutura do livro, da presença dos anciãos no céu antes dos juízos, das Bodas do Cordeiro e do retorno de Cristo acompanhado pelos santos, ela fortalece significativamente a interpretação pré-tribulacionista.
A sequência apresentada é coerente: a Igreja aparece na Terra, o cenário muda para o céu, os juízos caem sobre o mundo, a Noiva participa das Bodas do Cordeiro e, finalmente, retorna com Cristo em sua manifestação gloriosa.
O que acontecerá com a Igreja depois do arrebatamento?
Os mortos em Cristo ressuscitarão
“Primeiro, os cristãos que já morreram ressuscitarão.” 1 Tessalonicenses 4:16
O arrebatamento será acompanhado por uma ressurreição corporal, real e gloriosa. Os salvos que morreram não perderão sua participação na volta de Cristo. Pelo contrário, eles ressuscitarão primeiro.
Nenhum filho de Deus será esquecido. Nenhum túmulo resistirá à voz do Filho de Deus. A morte não poderá conservar aqueles que pertencem a Cristo. “Nossos corpos são sepultados em desonra, mas ressuscitarão em glória. São sepultados em fraqueza, mas ressuscitarão cheios de força.” 1 Coríntios 15:43
Aqueles que partiram em Cristo ressuscitarão com corpos glorificados e serão reunidos aos salvos que estiverem vivos. A morte separou temporariamente, mas a voz de Cristo reunirá eternamente.
Os salvos vivos serão transformados
“Nem todos morreremos, mas todos seremos transformados.” 1 Coríntios 15:51
Os cristãos que estiverem vivos no momento do arrebatamento não precisarão passar pela morte. Em um instante, seus corpos serão transformados pelo poder de Deus. “Acontecerá num instante, num piscar de olhos, ao som da última trombeta. Pois, quando a trombeta soar, aqueles que morreram ressuscitarão para viver para sempre. E nós que estivermos vivos também seremos transformados.” 1 Coríntios 15:52
O corpo mortal será revestido de imortalidade, e o corpo sujeito à deterioração será revestido de incorruptibilidade. “Pois nosso corpo mortal precisa ser transformado em corpo imortal.” 1 Coríntios 15:53
Não haverá mais enfermidade, envelhecimento, fraqueza, dor ou morte. O corpo que hoje sofre será transformado num corpo glorioso, semelhante ao corpo ressurreto de Cristo. “Ele tomará nosso frágil corpo mortal e o transformará num corpo glorioso como o dele.” Filipenses 3:21
O arrebatamento não será apenas uma mudança de lugar. Será uma transformação completa. Em um instante, aquilo que é mortal será vencido pela vida, e aquilo que é corruptível será revestido de glória.rioso, semelhante ao corpo ressurreto de Cristo.
Encontraremos Cristo nos ares
“Depois, com eles, nós, os que ainda estivermos vivos e permanecermos na terra, seremos arrebatados nas nuvens para encontrar o Senhor nos ares. Então estaremos com o Senhor para sempre.” 1 Tessalonicenses 4:17
Esse versículo apresenta três encontros extraordinários:
- Os salvos vivos encontrarão os que ressuscitaram em Cristo: 1 Tessalonicenses 4:16-17; 1 Coríntios 15:51-52
- Toda a Igreja, de todas as épocas, será finalmente reunida: João 11:25-26; 1 Coríntios 15:22-23; 2 Tessalonicenses 2:1
- A Igreja completa encontrará seu Senhor nos ares: 1 Tessalonicenses 4:17; João 14:3
Famílias que foram separadas pela morte voltarão a se encontrar. Gerações de cristãos que nunca conviveram na Terra estarão reunidas numa única multidão. Todos os verdadeiros membros do Corpo de Cristo estarão diante daquele que os salvou.
Contudo, a maior promessa do texto não é simplesmente morar no céu, receber um corpo glorificado ou reencontrar aqueles que partiram. O centro de nossa esperança é uma pessoa: Jesus Cristo.
“Então estaremos com o Senhor para sempre.”
Aquele que hoje seguimos pela fé estará diante dos nossos olhos. Aquele a quem amamos sem ter visto será contemplado face a face. O Salvador que carregou nossos pecados na cruz nos receberá pessoalmente em sua presença.
A longa espera terminará. A fé se transformará em visão. A esperança se tornará realidade. E, daquele momento em diante, nunca mais haverá distância, despedida ou separação entre Cristo e sua Igreja.
O arrebatamento não é apenas a retirada da Igreja da Terra. É o encontro eterno da Noiva com o Noivo.
Seremos recebidos na casa do Pai
Na noite em que seria traído, Jesus consolou seus discípulos com uma das promessas mais poderosas das Escrituras: “Quando tudo estiver pronto, virei buscá-los, para que estejam sempre comigo onde eu estiver.” João 14:3
A sequência apresentada por Jesus é clara:
- Cristo parte e retorna para junto do Pai: João 13:1,3; 14:2,12,28; 16:5,10,28
- Cristo prepara um lugar para os seus: João 14:2-3
- Cristo volta pessoalmente: João 14:3; Atos 1:9-11; 1 Tessalonicenses 4:16
- Cristo recebe sua Igreja: João 14:3; 1 Tessalonicenses 4:16-17; 2 Tessalonicenses 2:1
- Os salvos passam a estar para sempre onde ele está: João 14:3; 17:24; 1 Tessalonicenses 4:17
O arrebatamento cumpre essa promessa. Jesus não prometeu apenas retornar à Terra, mas voltar para buscar os seus e levá-los à casa do Pai. O movimento descrito no texto é de Cristo vindo receber sua Igreja para que ela esteja onde ele está.
Ele não enviará um anjo ou qualquer substituto. O próprio Senhor virá: “Pois o Senhor mesmo descerá do céu com um grito de comando, com a voz do arcanjo e com o toque da trombeta de Deus.” 1 Tessalonicenses 4:16
Aquele que morreu por sua Igreja também virá pessoalmente buscá-la. O Cristo que subiu aos céus retornará para receber aqueles que foram comprados pelo seu sangue.
A casa está sendo preparada. A promessa permanece viva. E, no tempo determinado pelo Pai, Jesus voltará para conduzir sua Igreja à presença eterna de Deus.
O arrebatamento não será apenas nossa saída deste mundo. Será nossa entrada definitiva na casa do Pai.
Compareceremos diante do Tribunal de Cristo
“Pois todos nós teremos de comparecer diante do tribunal de Cristo, para receber o que merecemos pelo bem ou pelo mal que tivermos feito neste corpo terreno.” 2 Coríntios 5:10
O Tribunal de Cristo não decidirá quem será salvo ou condenado. Os que comparecerem diante dele já pertencem a Jesus e foram salvos pela graça mediante a fé. Não será um julgamento para determinar o destino eterno, mas uma avaliação da vida e do serviço de cada cristão.
Diante de Cristo serão examinados:
- As obras que realizamos: 2 Coríntios 5:10; Apocalipse 22:12
- As motivações que governaram nossas atitudes: 1 Coríntios 4:5; Hebreus 4:12-13
- A fidelidade com que servimos: Mateus 25:21,23; 1 Coríntios 4:2
- A maneira como administramos nossos dons: Romanos 12:6-8; 1 Pedro 4:10-11
- O uso que fizemos do tempo e das oportunidades recebidas: Efésios 5:15-16; Colossenses 4:5
- A qualidade daquilo que edificamos para o Reino de Deus: 1 Coríntios 3:12-15; 2 Timóteo 2:20-21
Paulo ensina que Jesus Cristo é o único fundamento da salvação, mas cada cristão deve observar como constrói sobre esse fundamento: “Pois ninguém pode lançar outro alicerce além daquele que já foi posto, isto é, Jesus Cristo. Quem constrói sobre esse alicerce pode usar vários materiais: ouro, prata, pedras preciosas, madeira, feno ou palha. Mas, no dia do julgamento, o fogo revelará que tipo de obra cada construtor realizou. O fogo mostrará se a obra de alguém tem valor. Se a obra permanecer, o construtor receberá uma recompensa. Mas, se a obra for consumida, o construtor sofrerá grande perda. O construtor será salvo, mas como alguém que escapa de um incêndio.” 1 Coríntios 3:11-15
Algumas obras permanecerão porque foram realizadas com fidelidade, amor e obediência. Outras serão consumidas porque, apesar de possuírem aparência religiosa, nasceram de motivações erradas ou não possuíam verdadeiro valor eterno.
O texto deixa uma verdade muito clara: o salvo pode perder a recompensa, mas não a salvação. Paulo afirma que ele “será salvo”, mesmo que sua obra não resista à avaliação.
Por isso, o Tribunal de Cristo não deve ser apresentado como uma ameaça de condenação aos salvos. Será um momento santo de prestação de contas diante daquele que nos amou, nos salvou e confiou uma missão a cada um de nós.
A graça garante nossa salvação. A fidelidade determinará nossa recompensa. Não servimos para sermos salvos; servimos porque já fomos alcançados pela salvação.
ReceReceberemos galardões
A salvação é um presente da graça de Deus e não pode ser conquistada por obras. Os galardões, porém, estão relacionados à fidelidade com que cada cristão viveu, serviu e cumpriu a missão recebida do Senhor.
O Novo Testamento apresenta diferentes coroas como imagens da recompensa concedida por Cristo:
- Coroa incorruptível: concedida aos que vivem com disciplina espiritual e perseverança, mantendo seu propósito em Cristo.
1 Coríntios 9:25 - Coroa da alegria: relacionada ao fruto espiritual daqueles que conduziram outras pessoas a Cristo e investiram na vida delas.
1 Tessalonicenses 2:19 - Coroa da justiça: reservada aos que permanecem fiéis e aguardam com amor a manifestação de Jesus.
2 Timóteo 4:8 - Coroa da vida: prometida aos que suportam provações e permanecem fiéis ao Senhor, mesmo diante da perseguição e da morte.
Tiago 1:12; Apocalipse 2:10 - Coroa de glória: destinada aos líderes que cuidam fielmente do rebanho de Deus, servindo com humildade e sendo exemplos para a Igreja.
1 Pedro 5:2-4
Essas coroas não serão troféus para alimentar o orgulho humano. Na presença de Cristo, ninguém poderá atribuir a si mesmo a glória daquilo que realizou. Toda capacidade, oportunidade e resultado nasceram da graça de Deus.
Os galardões serão expressões dessa mesma graça, reconhecendo a fidelidade de servos que responderam com obediência ao chamado recebido.
Apocalipse mostra os anciãos lançando suas coroas diante do trono: “Prostravam-se diante daquele que estava sentado no trono e adoravam aquele que vive para todo o sempre. Colocavam suas coroas diante do trono.” Apocalipse 4:10
As coroas serão recebidas das mãos de Cristo e colocadas aos pés de Cristo. Todo galardão terminará em adoração, porque toda honra, toda conquista e toda glória pertencem ao Senhor.
Participaremos das Bodas do Cordeiro
“Alegremo-nos, exultemos e a ele demos glória, pois chegou a hora do casamento do Cordeiro, e sua noiva já se preparou.” Apocalipse 19:7
As Bodas do Cordeiro serão a grande celebração da união definitiva entre Cristo e sua Igreja. A promessa aguardada durante séculos finalmente se cumprirá: o Noivo receberá sua Noiva, e nunca mais haverá distância ou separação.
Cristo é apresentado como o Noivo, e a Igreja como sua Noiva. Paulo descreve o relacionamento da Igreja com Jesus como uma aliança de fidelidade e pureza: “Pois tenho por vocês o mesmo zelo que Deus tem. Eu os prometi como noiva pura a um só marido, Cristo.” 2 Coríntios 11:2
Essa união está fundamentada no amor sacrificial de Cristo. Ele não apenas escolheu sua Noiva, mas entregou a própria vida para santificá-la e prepará-la para esse encontro: “Maridos, ame cada um a sua esposa, como Cristo amou a igreja. Ele entregou a vida por ela, a fim de torná-la santa, purificando-a ao lavá-la com água por meio da palavra. Assim o fez para apresentá-la a si mesmo como igreja gloriosa, sem mancha, ruga ou qualquer outro defeito, mas santa e sem culpa.”
Efésios 5:25-27
No céu, a união entre Cristo e a Igreja será celebrada e publicamente reconhecida: “E o anjo me disse: ‘Escreva isto: Felizes os que foram convidados para o banquete de casamento do Cordeiro’. E acrescentou: ‘Essas são palavras verdadeiras que vêm de Deus’.” Apocalipse 19:9
A Igreja estará diante do Noivo purificada, glorificada e revestida de linho fino. Não será recebida como uma serva rejeitada, mas como a amada pela qual Cristo derramou seu próprio sangue.
As Bodas do Cordeiro serão uma celebração de amor, aliança, vitória e comunhão eterna. Tudo o que hoje vivemos pela fé será plenamente realizado naquele encontro.
A Noiva que hoje espera verá o Noivo. A Igreja que hoje sofre reinará com Cristo. E aquele que prometeu voltar celebrará para sempre sua união com os que foram comprados pelo seu sangue.
Retornaremos com Cristo
Depois de ser arrebatada, glorificada, recompensada no Tribunal de Cristo e apresentada como Noiva nas Bodas do Cordeiro, a Igreja retornará com Jesus em sua manifestação gloriosa. “Vi o céu aberto e, diante de mim, um cavalo branco. Seu cavaleiro se chamava Fiel e Verdadeiro, pois julga com justiça e guerreia. Seus olhos eram como chamas de fogo, e em sua cabeça havia muitas coroas. Tinha escrito um nome que ninguém conhecia, a não ser ele mesmo. Vestia um manto tingido de sangue, e seu título era a Palavra de Deus. Os exércitos do céu, vestidos do linho branco mais puro, seguiam-no em cavalos brancos.” Apocalipse 19:11-14
Cristo aparecerá como Rei vitorioso, Juiz justo e Senhor soberano. Os exércitos celestiais o acompanharão vestidos de linho fino, branco e puro, a mesma imagem usada anteriormente para descrever as vestes dos santos: “Ela recebeu linho fino da mais alta pureza para vestir. Pois o linho fino representa as boas obras do povo santo.” Apocalipse 19:8
Essa conexão fortalece a compreensão de que os santos glorificados estarão entre aqueles que acompanharão Cristo em seu retorno. “Então o Senhor, meu Deus, virá, e todos os seus santos estarão com ele.” Zacarias 14:5
Existe, portanto, uma distinção importante entre os dois momentos da Segunda Vinda:
- No arrebatamento, Cristo vem para os santos: João 14:2-3; 1 Tessalonicenses 4:16-17
- Na manifestação gloriosa, Cristo retorna com os santos: Zacarias 14:5; 1 Tessalonicenses 3:13; Judas 14; Apocalipse 19:11-14
- No arrebatamento, a Igreja sobe para encontrar o Senhor nos ares: 1 Tessalonicenses 4:17
- Na manifestação gloriosa, a Igreja desce acompanhando Cristo: Colossenses 3:4; Apocalipse 19:14
- No arrebatamento, Cristo recebe sua Noiva: João 14:3; 2 Tessalonicenses 2:1
- Na manifestação gloriosa, Cristo se apresenta publicamente como Rei e Juiz: Mateus 24:30; 2 Tessalonicenses 1:7-10; Apocalipse 1:7; 19:11-16
A Igreja não retornará para conquistar a vitória, pois Cristo sozinho derrotará seus inimigos com a palavra de sua boca. Ela retornará para testemunhar sua vitória, participar de seu governo e compartilhar de seu Reino.
“Quando Cristo, que é sua vida, for revelado ao mundo inteiro, vocês participarão de toda a sua glória.” Colossenses 3:4
Primeiro, seremos reunidos a Cristo nos ares. Depois, retornaremos com ele em glória. A Noiva que hoje espera pelo Noivo será apresentada ao mundo ao lado do Rei vitorioso.
ReinaReinaremos com Cristo
A esperança da Igreja não termina no arrebatamento, na glorificação ou nas Bodas do Cordeiro. Depois de retornar com Jesus em sua manifestação gloriosa, os santos participarão de seu Reino. “Eles voltaram à vida e reinaram com Cristo por mil anos.” Apocalipse 20:4
Apocalipse apresenta Cristo estabelecendo seu Reino e compartilhando sua autoridade com os santos. Aqueles que foram perseguidos, rejeitados e mortos por sua fidelidade ao Senhor serão ressuscitados e honrados em seu governo. “Felizes e santos são os que participam da primeira ressurreição. Para eles, a segunda morte não tem poder algum, mas serão sacerdotes de Deus e de Cristo e reinarão com ele por mil anos.” Apocalipse 20:6
Daniel já havia profetizado que o Reino seria entregue ao povo santo do Altíssimo: “Então a soberania, o poder e a grandeza de todos os reinos debaixo do céu serão entregues ao povo santo do Altíssimo.” Daniel 7:27
Paulo também ensinou que os santos participarão do governo e do julgamento exercidos sob a autoridade de Cristo: “Vocês não sabem que um dia nós, os que cremos, julgaremos o mundo?” 1 Coríntios 6:2-3
Esse reinado não será independente de Cristo nem significará igualdade com ele. Jesus continuará sendo o Rei dos reis e o Senhor dos senhores. Os salvos governarão debaixo de sua autoridade, cumprindo as responsabilidades que ele lhes confiar. “Se suportarmos as dificuldades, com ele reinaremos.” 2 Timóteo 2:12
“Tu fizeste deles um reino de sacerdotes para nosso Deus, e eles reinarão sobre a terra.”Apocalipse 5:10
A maneira como vivemos e servimos agora possui consequências eternas. Nossa fidelidade presente estará relacionada às responsabilidades que receberemos no futuro governo de Cristo.
Hoje servimos em meio à oposição; naquele dia reinaremos em vitória. Hoje carregamos a cruz; naquele dia participaremos de sua glória. Hoje somos chamados a permanecer fiéis; naquele dia receberemos do Rei a responsabilidade de governar com ele.
Não reinaremos porque conquistamos algum mérito próprio, mas porque Cristo, em sua graça, decidiu compartilhar seu Reino com aqueles que foram comprados pelo seu sangue.
A volta gloriosa de Cristo
A manifestação gloriosa será o momento em que Jesus Cristo será revelado publicamente ao mundo como Rei dos reis e Senhor dos senhores: Mateus 24:30; Apocalipse 1:7; 17:14; 19:11-16; Filipenses 2:9-11.
Cristo virá visivelmente
Diferentemente do arrebatamento, quando a Igreja será elevada para encontrar Cristo nos ares, a manifestação gloriosa será pública, visível e impossível de ser ignorada. “Eis que ele vem com as nuvens, e todo olho o verá.” Apocalipse 1:7
A volta gloriosa não acontecerá em segredo. Ninguém precisará anunciar que Cristo chegou, procurar sinais de sua localização ou depender do relato de outras pessoas. Sua presença será revelada diante das nações.
Jesus comparou sua manifestação ao relâmpago que atravessa o céu e pode ser visto de uma extremidade à outra: “Pois, assim como o relâmpago lampeja no leste e brilha até o oeste, assim será a vinda do Filho do Homem.” Mateus 24:27
Nenhuma potência poderá ocultar esse acontecimento. Nenhum governo conseguirá impedir sua manifestação. Nenhuma nação poderá ignorá-lo.
O Cristo que o mundo rejeitou será contemplado por todos. O Cordeiro que foi sacrificado aparecerá como Rei. Todo olho o verá, toda resistência será confrontada e toda a Terra reconhecerá que Jesus Cristo é o Senhor.
Cristo virá com poder e grande glória
“Então todos verão o Filho do Homem vindo numa nuvem com poder e grande glória.” Lucas 21:27
A manifestação gloriosa de Cristo não será discreta, silenciosa nem escondida. Ela será pública, majestosa e acompanhada pela revelação irresistível do poder de Deus. “Então, por fim, aparecerá no céu o sinal de que o Filho do Homem está vindo, e haverá profundo lamento entre todos os povos da terra. Eles verão o Filho do Homem vindo nas nuvens do céu com poder e grande glória.” Mateus 24:30
Sua volta será acompanhada por sinais no céu, abalo entre as nações e juízo sobre o mundo rebelde. A criação anunciará que o verdadeiro Rei chegou.
Na primeira vinda, Cristo nasceu em humildade e foi colocado numa manjedoura. Na manifestação gloriosa, ele virá revestido de majestade. Na primeira, foi julgado pelos homens; na segunda, virá para julgar as nações. Na primeira, recebeu uma coroa de espinhos; na segunda, aparecerá com muitas coroas. “Em sua cabeça havia muitas coroas.” Apocalipse 19:12
O mundo não verá mais o Servo sofredor caminhando em direção à cruz, mas o Rei vitorioso vindo para assumir publicamente seu governo.
Nenhum poder humano conseguirá impedi-lo. Nenhum exército poderá enfrentá-lo. Nenhum trono permanecerá acima do seu.
A glória que muitos rejeitaram será contemplada por todos. Jesus será revelado como sempre foi: o Senhor soberano, o Juiz perfeito e o Rei dos reis.
Cristo tocará a Terra
Na manifestação gloriosa, Cristo não permanecerá nos ares. Ele descerá de forma real e visível, e seus pés tocarão o monte das Oliveiras, a leste de Jerusalém. “Naquele dia, seus pés estarão sobre o monte das Oliveiras, a leste de Jerusalém.” Zacarias 14:4
Zacarias descreve uma intervenção concreta de Deus na história. O monte das Oliveiras se dividirá, as nações serão confrontadas e o Senhor assumirá publicamente seu governo sobre a Terra. “E o Senhor será rei sobre toda a terra. Naquele dia, haverá um só Senhor, e seu nome será o único nome.” Zacarias 14:9
Esse acontecimento não deve ser confundido com o arrebatamento. Embora ambos façam parte da Segunda Vinda de Cristo, possuem características diferentes:
- No arrebatamento, Cristo encontra sua Igreja nos ares. 1 Tessalonicenses 4:16-17
- Na manifestação gloriosa, Cristo desce à Terra e seus pés tocam o monte das Oliveiras. Zacarias 14:4
- No arrebatamento, Jesus vem para receber os seus. João 14:3
- Na manifestação gloriosa, ele retorna acompanhado pelos santos para julgar as nações e estabelecer seu Reino. Zacarias 14:5; Apocalipse 19:11-16
O mesmo Jesus que subiu ao céu nas proximidades do monte das Oliveiras voltará de modo pessoal, corporal e glorioso. “Jesus foi levado ao céu diante deles. Enquanto o observavam, uma nuvem o encobriu. [...] ‘Jesus foi levado de vocês para o céu, mas um dia voltará do mesmo modo como o viram subir’.” Atos 1:9-11
No arrebatamento, a Igreja sobe ao encontro do Noivo. Na manifestação gloriosa, o Rei desce para ocupar seu trono. Seus pés tocarão a Terra, seus inimigos serão vencidos e seu Reino será estabelecido.
Cristo derrotará o Anticristo
O Anticristo alcançará enorme influência política, promoverá engano espiritual e exercerá domínio sobre as nações. Durante um período determinado, seu sistema parecerá invencível. Contudo, sua autoridade será temporária e estará limitada pela soberania de Deus.
“O Senhor Jesus o matará com o sopro de sua boca e o destruirá com o esplendor de sua vinda.” 2 Tessalonicenses 2:8
Cristo não enfrentará uma batalha equilibrada, como se existisse alguma possibilidade de derrota. O sopro de sua boca e o esplendor de sua presença serão suficientes para destruir o homem da iniquidade.
Apocalipse mostra o Anticristo, identificado como a besta, reunindo os poderes da Terra para guerrear contra Cristo: “Depois vi a besta e os reis do mundo, com seus exércitos, reunidos para guerrear contra aquele que montava o cavalo e seu exército.” Apocalipse 19:19
Entretanto, a resistência terminará rapidamente: “A besta foi capturada e, com ela, o falso profeta [...] Tanto a besta como o falso profeta foram lançados vivos no lago de fogo que arde com enxofre.” Apocalipse 19:20
A derrota do Anticristo não acontecerá por meio de uma revolução humana, de uma aliança militar ou de uma solução política. Será resultado da intervenção direta e gloriosa de Jesus Cristo.
Nenhum exército poderá vencê-lo. Nenhum governo poderá detê-lo. Nenhum poder espiritual conseguirá permanecer diante dele. O império que parecia dominar o mundo desmoronará diante da presença do verdadeiro Rei.
O Anticristo poderá enganar as nações durante algum tempo, mas jamais ocupará o lugar de Cristo. Seu governo terá prazo; o Reino de Jesus será eterno. Sua palavra será mentira; Cristo é a Verdade. Sua autoridade será concedida e limitada; a autoridade de Jesus é absoluta.
Quando o Rei dos reis aparecer, todo governo falso chegará ao fim. O esplendor de Cristo será a sentença definitiva contra o homem da iniquidade.
Cristo julgará as nações
A manifestação gloriosa não será apenas a revelação pública de Cristo. Ela também será acompanhada pelo julgamento das nações e pela remoção de toda oposição ao seu governo.
“Quando o Filho do Homem vier em sua glória, acompanhado de todos os anjos, ele se sentará em seu trono glorioso. Todas as nações serão reunidas diante dele.” Mateus 25:31-32
Jesus será revelado como Rei e Juiz. As nações serão reunidas diante de seu trono, e ninguém poderá escapar de sua autoridade. Aquele que conhece os corações avaliará com perfeita justiça a resposta de cada um ao seu governo.
O profeta Joel também anunciou esse grande julgamento: “Que as nações se levantem e avancem para o vale de Josafá, pois ali me sentarei para julgá-las. [...] Multidões, multidões esperam no vale da decisão! Ali o dia do Senhor logo chegará.” Joel 3:12-14
A palavra “Josafá” carrega a ideia de que o Senhor julga. As nações que se levantaram contra Deus, perseguiram seu povo e rejeitaram sua autoridade serão chamadas a prestar contas.
João apresenta Cristo retornando como o Rei que executa a justiça divina: “De sua boca saía uma espada afiada para ferir as nações. Ele as governará com cetro de ferro e liberará a ira de Deus, o Todo-poderoso, como vinho que escorre de um lagar.” Apocalipse 19:15
O julgamento de Cristo não será falho, parcial ou influenciado por interesses humanos. Ele conhece todas as obras, todas as motivações e todas as injustiças escondidas. Seu julgamento será santo, perfeito e definitivo.
O mundo que rejeitou o governo de Cristo será confrontado por sua autoridade. Os reis que recusaram seu domínio estarão diante do Rei dos reis. Os sistemas que perseguiram os fiéis cairão diante do Senhor dos senhores.
Aquele que foi desprezado será honrado. Aquele que foi julgado pelos homens se assentará como Juiz. Aquele que recebeu uma coroa de espinhos será publicamente reconhecido como o único e verdadeiro Rei.
Cristo estabelecerá o Reino Milenar
A manifestação gloriosa não será apenas a revelação pública de Cristo. Ela também será acompanhada pelo julgamento das nações e pela remoção de toda oposição ao seu governo.
“Quando o Filho do Homem vier em sua glória, acompanhado de todos os anjos, ele se sentará em seu trono glorioso. Todas as nações serão reunidas diante dele.” Mateus 25:31-32
Jesus será revelado como Rei e Juiz. As nações serão reunidas diante de seu trono, e ninguém poderá escapar de sua autoridade. Aquele que conhece os corações avaliará com perfeita justiça a resposta de cada um ao seu governo.
O profeta Joel também anunciou esse grande julgamento: “Que as nações se levantem e avancem para o vale de Josafá, pois ali me sentarei para julgá-las. [...] Multidões, multidões esperam no vale da decisão! Ali o dia do Senhor logo chegará.” Joel 3:12-14
A palavra “Josafá” carrega a ideia de que o Senhor julga. As nações que se levantaram contra Deus, perseguiram seu povo e rejeitaram sua autoridade serão chamadas a prestar contas.
João apresenta Cristo retornando como o Rei que executa a justiça divina: “De sua boca saía uma espada afiada para ferir as nações. Ele as governará com cetro de ferro e liberará a ira de Deus, o Todo-poderoso, como vinho que escorre de um lagar.” Apocalipse 19:15
O julgamento de Cristo não será falho, parcial ou influenciado por interesses humanos. Ele conhece todas as obras, todas as motivações e todas as injustiças escondidas. Seu julgamento será santo, perfeito e definitivo.
O mundo que rejeitou o governo de Cristo será confrontado por sua autoridade. Os reis que recusaram seu domínio estarão diante do Rei dos reis. Os sistemas que perseguiram os fiéis cairão diante do Senhor dos senhores.
Aquele que foi desprezado será honrado. Aquele que foi julgado pelos homens se assentará como Juiz. Aquele que recebeu uma coroa de espinhos será publicamente reconhecido como o único e verdadeiro Rei.
Bônus: as setenta semanas de Daniel
A profecia das setenta semanas está registrada em Daniel 9:24-27.
Daniel não profetizou apenas “sete semanas”. Ele anunciou setenta semanas divididas em três partes.
O que significa “semana”?
A palavra hebraica é shābûaʿ, שָׁבוּעַ, e significa uma unidade de sete.
Em Daniel 9, entendemos que cada unidade representa sete anos:
- 70 semanas
- 70 unidades de sete anos
- Total de 490 anos
Gabriel afirmou que as semanas foram determinadas sobre o povo de Daniel e sobre Jerusalém. “Um período de setenta conjuntos de sete foi decretado para seu povo e sua cidade santa.” Daniel 9:24
O povo de Daniel é Israel. A cidade santa é Jerusalém. Esse detalhe é fundamental para a interpretação pré-tribulacionista.
A divisão das semanas
A profecia é dividida em:
- Sete semanas, correspondentes a 49 anos.
- Sessenta e duas semanas, correspondentes a 434 anos.
- Uma última semana, correspondente a sete anos.
As primeiras duas partes somam 69 semanas: 69 × 7 = 483 anos
A contagem começa com uma ordem para restaurar e reconstruir Jerusalém. A interpretação pré-tribulacionista clássica normalmente relaciona o início ao decreto concedido a Neemias no reinado de Artaxerxes, por volta de 445 ou 444 a.C., registrado em Neemias 2:1-8.
Depois das 69 semanas, o Messias seria morto: “Depois desse período de 62 conjuntos de sete, o Ungido será morto.” Daniel 9:26
Nós identificamos o Ungido com Jesus Cristo e seu corte com a crucificação.
O intervalo profético
Depois das 69 semanas, Daniel anuncia:
- A morte do Messias.
- A destruição de Jerusalém.
- A destruição do santuário.
- Guerras e desolações.
Jerusalém e o templo foram destruídos pelos romanos no ano 70 d.C.
Esses acontecimentos aparecem depois da 69ª semana, mas antes da descrição da 70ª semana. Isso permite um intervalo entre as duas.
Nós entendemos esse intervalo como a era da Igreja.
A Igreja não é um plano improvisado. Ela era um mistério de Deus que ainda não havia sido plenamente revelado:
A era da Igreja ocupa um intervalo entre a 69ª e a 70ª semana. Por isso, entendemos que a Igreja será retirada antes do início da última semana profética destinada a Israel e Jerusalém.
A septuagésima semana
Daniel 9:27 declara: “O governante fará um tratado com o povo por um período de um conjunto de sete, mas, depois de metade desse tempo, dará fim aos sacrifícios e às ofertas.”
Nós entendemos que esse governante está relacionado ao príncipe que há de vir, mencionado no versículo 26. Ele aponta profeticamente para o Anticristo.
A última semana terá sete anos:
- Primeira metade: três anos e meio de aliança e aparente estabilidade.
- Metade da semana: quebra da aliança e interrupção dos sacrifícios.
- Segunda metade: três anos e meio de abominação, perseguição e Grande Tribulação.
- Final: manifestação gloriosa de Cristo.
A segunda metade aparece nas Escrituras com diferentes medidas:
- “Tempo, tempos e metade de um tempo”: Daniel 7:25
- Metade da semana: Daniel 9:27
- 42 meses: Apocalipse 11:2
- 1.260 dias: Apocalipse 11:3
- 42 meses da autoridade da besta: Apocalipse 13:5
Jesus relacionou Daniel à futura abominação da desolação em Mateus 24:15-21.
A Bíblia não declara que os sete anos começam exatamente no mesmo segundo do arrebatamento. A septuagésima semana começa com a confirmação da aliança mencionada em Daniel 9:27.
Portanto, pode existir um intervalo entre:
- O arrebatamento da Igreja.
- A reorganização política mundial.
- A manifestação do Anticristo.
- A confirmação da aliança.
- O início formal dos sete anos.
O arrebatamento prepara o cenário. A aliança inicia a contagem profética. A manifestação gloriosa encerra a septuagésima semana e inaugura o Reino de Cristo.
Conclusão
Nós, pré-tribulacionistas, não esperamos o Anticristo como nossa esperança. Esperamos Jesus Cristo.
Não negamos que a Igreja enfrente tribulações, perseguições e sofrimento. Negamos que ela tenha sido destinada à ira escatológica preparada para o mundo rebelde.
O arrebatamento será iminente, rápido, seletivo, secreto quanto ao momento, desencadeador dos acontecimentos finais, abençoador para os salvos e anterior à septuagésima semana de Daniel.
A volta gloriosa será diferente. Ela acontecerá depois da Grande Tribulação, será pública e visível, envolverá o julgamento das nações, derrotará o Anticristo, prenderá Satanás e estabelecerá o Reino Milenar de Cristo.
No arrebatamento, Cristo vem para os santos. Na manifestação gloriosa, Cristo vem com os santos.
No arrebatamento, a Igreja sobe para encontrar o Senhor nos ares. Na volta gloriosa, a Igreja desce com o Senhor para reinar com Ele na Terra.
“E todos que têm essa esperança se manterão puros, como ele é puro.” 1 João 3:3
A esperança do arrebatamento não foi dada para alimentar curiosidade, medo ou especulação. Foi dada para fortalecer a Igreja, consolar os que sofrem, despertar os que estão adormecidos espiritualmente e conduzir cada crente a uma vida de santidade e vigilância.
A escatologia que apenas informa a mente, mas não transforma a vida, ainda não foi verdadeiramente compreendida.
A pergunta final não é apenas: “Quando acontecerá o arrebatamento?”
A pergunta mais importante é: Se a trombeta tocar hoje, estou preparado para encontrar Jesus?
Maranata! Vem, Senhor Jesus!
