SÉRIE — QUANDO O CÉU ENCONTRA UM ALTAR — 1ª SEMANA — O JEJUM QUE DEUS ESCOLHE
Versículo-chave: Isaías 58:1-12
“Deus não procura apenas pessoas com o estômago vazio. Ele procura corações quebrantados, mãos limpas e vidas verdadeiramente entregues.” – Ap.Daniel Junior
INTRODUÇÃO: ELES JEJUAVAM, MAS DEUS NÃO SE AGRADAVA
Isaías 58 começa com uma ordem forte de Deus ao profeta: “Clama em alta voz, não te detenhas, levanta a voz como a trombeta e anuncia ao meu povo a sua transgressão” (Isaías 58:1). Isso significa que havia algo errado que precisava ser exposto. O mais surpreendente é que Deus não estava falando com um povo que havia abandonado completamente a religião. Pelo contrário, eles buscavam a Deus, aproximavam-se do templo, praticavam o jejum e afirmavam desejar conhecer os caminhos do Senhor. Exteriormente, pareciam espirituais, mas interiormente permaneciam distantes.
O versículo 2 diz: “Todavia, me procuram cada dia, tomam prazer em saber os meus caminhos, como um povo que pratica a justiça”. Eles conheciam os movimentos da religião, mas não permitiam que a presença de Deus transformasse suas atitudes. Jejuavam, mas continuavam explorando pessoas. Oravam, mas alimentavam contendas. Buscavam respostas, mas não aceitavam correção. A boca clamava por Deus, enquanto o coração continuava dominado pelo egoísmo.
Então o povo fez uma pergunta carregada de frustração: “Por que jejuamos nós, e tu não atentas para isso?” (Isaías 58:3). Em outras palavras, estavam dizendo: “Deus, fizemos nossa parte. Agora o Senhor precisa fazer a Sua”. Eles transformaram o jejum em uma negociação espiritual, como se a fome pudesse comprar uma resposta divina. Contudo, Deus não pode ser manipulado por nossa abstinência. Jejum não é uma maneira de pressionar Deus. Jejum é uma maneira de nos humilharmos diante Dele.
Essa palavra nos confronta porque também podemos frequentar cultos, participar de campanhas, cantar, orar e jejuar sem permitir uma transformação profunda. É possível mudar o cardápio sem mudar o coração. É possível ficar sem alimento e continuar cheio de orgulho. É possível sentir fome no corpo sem desenvolver fome pela presença de Deus.
A primeira pergunta deste jejum não deve ser apenas: “Do que vou me alimentar?” A pergunta mais importante é: “O que Deus deseja retirar de dentro de mim?”
1. O JEJUM EXPÕE AQUILO QUE A RELIGIOSIDADE TENTA ESCONDER
“Eis que, no dia em que jejuais, cuidais dos vossos próprios interesses e exigis que se faça todo o vosso trabalho. Eis que jejuais para contendas e rixas e para ferirdes com punho iníquo.”
Isaías 58:3-4
Deus começou a mostrar que o problema não estava na prática do jejum, mas na distância entre aquilo que o povo fazia diante do altar e a maneira como vivia longe dele. Durante o jejum, eles continuavam buscando apenas os próprios interesses. Continuavam maltratando trabalhadores, discutindo, ferindo e sustentando relacionamentos adoecidos. O jejum estava nos lábios, mas não havia arrependimento no coração.
O jejum verdadeiro revela quem está governando nossa vida. Quando o alimento, o conforto e algumas distrações são retirados, aquilo que está escondido dentro de nós começa a aparecer. A irritação aparece, a ansiedade se manifesta, a impaciência cresce e certas dependências ficam evidentes. Isso não significa que o jejum esteja nos tornando piores. Significa que ele está revelando o que já estava dentro de nós.
Foi no deserto, durante quarenta dias de jejum, que Jesus respondeu ao tentador: “Nem só de pão viverá o homem, mas de toda palavra que procede da boca de Deus” (Mateus 4:4). Jesus mostrou que o corpo possui necessidades, mas a vida não pode ser governada somente por elas. Existe uma fome que o pão não resolve. Há um vazio que dinheiro, entretenimento, relacionamentos e conquistas não conseguem preencher. Somente a presença de Deus pode alimentar o interior do ser humano.
Paulo declarou: “Esmurro o meu corpo e o reduzo à escravidão” (1 Coríntios 9:27). O apóstolo não estava ensinando desprezo pelo corpo, mas domínio próprio. O corpo é instrumento, não senhor. Os desejos não podem ocupar o trono. O jejum coloca a carne no lugar dela e nos lembra de que nossos impulsos não precisam controlar nossas decisões.
Talvez, durante esses dias, Deus revele que o maior inimigo não está fora de você. Pode ser o orgulho que impede um pedido de perdão, a ansiedade que tenta controlar o futuro, a mágoa que alimenta pensamentos de vingança, a murmuração que contaminou sua linguagem ou um hábito escondido que está enfraquecendo sua comunhão com Deus. Não esconda o que o jejum revelar. Leve para o altar.
“O jejum não cria nossas fraquezas. Ele acende a luz sobre aquilo que já estava tentando nos governar.” – Ap. Daniel Junior
2. O JEJUM QUE DEUS ESCOLHE QUEBRA JUGOS DE DENTRO PARA FORA
“Porventura, não é este o jejum que escolhi: que soltes as ligaduras da impiedade, desfaças as ataduras da servidão, deixes livres os oprimidos e despedaces todo jugo?”
Isaías 58:6
Depois de confrontar o jejum superficial, Deus apresenta o jejum que escolheu. Observe que o texto fala de ligaduras, ataduras, opressões e jugos. O verdadeiro jejum está relacionado à libertação, mas essa libertação começa com arrependimento e mudança de atitude. Deus não estava apenas prometendo quebrar as correntes que prendiam o povo. Ele também estava ordenando que o povo deixasse de colocar correntes sobre os outros.
Isso torna o texto ainda mais profundo. Não podemos pedir que Deus quebre os jugos que nos aprisionam enquanto mantemos pessoas presas à nossa falta de perdão. Não podemos clamar por misericórdia e continuar tratando os outros com crueldade. Não podemos buscar liberdade espiritual sem abandonar comportamentos que produzem opressão, injustiça e sofrimento.
O jejum não convence Deus de que merecemos uma bênção. Ele nos coloca em uma posição de humildade para reconhecermos que precisamos Dele. Em Joel 2:12, o Senhor declarou: “Convertei-vos a mim de todo o vosso coração; e isso com jejuns, com choro e com pranto”. O centro do jejum não era o sacrifício alimentar. Era o retorno do coração. Deus não queria apenas um povo com fome. Ele queria um povo arrependido.
“O verdadeiro jejum não tenta mudar a vontade de Deus. Ele permite que Deus transforme a nossa vontade.”
Durante esses 21 dias, não apresente somente uma lista do que deseja receber. Apresente também aquilo que precisa abandonar. Talvez você queira que Deus abra uma porta, mas Ele deseja primeiro fechar uma ferida. Talvez você esteja pedindo uma resposta, mas Deus esteja tratando sua resistência em obedecer. Talvez você queira que uma situação mude, mas o Espírito Santo esteja mostrando que a primeira transformação precisa acontecer dentro de você.
Há correntes que não cairão enquanto continuarmos protegendo aquilo que nos prende. Não existe libertação verdadeira sem renúncia. Não adianta repreender no culto aquilo que alimentamos durante a semana. O jejum precisa ser acompanhado de confissão, arrependimento e decisão.
3. O JEJUM QUE ALCANÇA O CÉU TRANSFORMA NOSSA VIDA NA TERRA
“Porventura, não é também que repartas o teu pão com o faminto, recolhas em casa os pobres desabrigados, e, se vires o nu, o cubras e não te escondas do teu semelhante? Então, romperá a tua luz como a alva, a tua cura brotará sem detença, a tua justiça irá adiante de ti, e a glória do Senhor será a tua retaguarda.” Isaías 58:7-8
Deus leva o jejum para além do momento de oração. O alimento que o povo deixava de consumir deveria despertar compaixão por aqueles que não tinham o que comer. A abstinência deveria produzir generosidade. A busca pela presença deveria gerar responsabilidade diante da dor humana. O jejum que agrada a Deus não nos torna mais orgulhosos, isolados ou insensíveis. Ele nos torna mais parecidos com Cristo.
Jesus confrontou a espiritualidade praticada apenas para ser vista. Em Mateus 6:16-18, ensinou que o jejum não deveria ser usado como uma demonstração pública de santidade. Os hipócritas mudavam a aparência para que todos percebessem seu sacrifício, mas Jesus orientou Seus discípulos a jejuarem diante do Pai, no secreto. O jejum não é um palco para exibir força espiritual. É um altar onde reconhecemos nossa completa dependência.
Quanto mais próximos estivermos de Deus, mais sensíveis ficaremos às pessoas. Se depois de jejuarmos continuamos arrogantes, agressivos, indiferentes e incapazes de perdoar, alguma coisa não foi compreendida. João escreveu: “Quem não ama a seu irmão, ao qual viu, como pode amar a Deus, a quem não viu?” (1 João 4:20). Não podemos levantar as mãos diante de Deus e fechar o coração para quem está sofrendo.
É justamente depois de falar sobre justiça, misericórdia e generosidade que Deus declara: “Então, romperá a tua luz como a alva”. A palavra “então” estabelece uma ligação. Quando o coração é alinhado, a luz começa a romper. Quando a espiritualidade deixa de ser aparência e se transforma em obediência, experimentamos cura, direção, resposta e proteção.
A expressão “a tua luz romperá como a alva” descreve a chegada da manhã depois de uma longa noite. Há situações que parecem escuras, confusas e sem saída, mas Deus anuncia que a noite não será permanente. O texto também afirma: “A tua cura brotará sem detença”. Existem curas no corpo, mas também existem curas na alma, nos pensamentos, nos relacionamentos e na maneira como enxergamos a vida.
Isaías ainda declara que a glória do Senhor será a nossa retaguarda. A retaguarda é o lugar que não conseguimos enxergar enquanto avançamos. Deus está dizendo: “Enquanto vocês caminharem em obediência, Eu cuidarei daquilo que vocês não conseguem ver”. Há batalhas que não venceremos tentando controlar tudo. Precisamos obedecer naquilo que está diante de nós e confiar que Deus continuará trabalhando onde nossos olhos não alcançam.
CONCLUSÃO: O MAIOR MILAGRE PODE COMEÇAR DENTRO DE NÓS
Talvez tenhamos começado estes 21 dias esperando que Deus mudasse pessoas, circunstâncias e portas. Entretanto, antes de transformar o que está ao nosso redor, Deus deseja trabalhar aquilo que está dentro de nós. O maior milagre deste jejum pode não ser apenas receber o que pedimos. Pode ser nos tornarmos as pessoas que Deus nos chamou para ser.
Jejum não é somente deixar alguma coisa no prato. Jejum é colocar alguma coisa no altar. É entregar o orgulho, a ansiedade, o ressentimento, a necessidade de controle, os desejos desordenados e tudo aquilo que tenta ocupar o lugar de Deus. O altar não é apenas o lugar onde pedimos. Também é o lugar onde renunciamos.
Deus não está impressionado com quantas horas conseguimos permanecer sem alimento, se continuamos alimentando tudo aquilo que destrói nossa alma. Ele procura sinceridade, arrependimento, justiça, misericórdia e transformação. O jejum que Deus escolhe esvazia o corpo por um período, mas enche a vida de Sua presença.
APLICAÇÃO PARA A SEMANA
Durante esta semana, escolha com responsabilidade o período diário do seu jejum. Considere sua rotina e suas condições de saúde. O objetivo não é competir com ninguém ou provar força espiritual, mas buscar a Deus com sinceridade.
No período em que estiver sem alimento, desligue-se das distrações e transforme a fome em oração. Leia Isaías 58, adore ao Senhor, interceda por sua família, pela igreja e pelo Brasil. Também reserve alguns minutos para permanecer em silêncio e permitir que o Espírito Santo examine seu coração.
Complete com sinceridade esta frase: “Durante este jejum, permitirei que Deus trate em mim…” Identifique uma ferida, um pecado, um medo, uma dependência ou um comportamento que precisa ser colocado no altar. Não esconda aquilo que Deus revelar.
Por fim, pratique uma atitude concreta de amor. Perdoe alguém, procure uma pessoa que está sofrendo, ajude uma família, reparta um alimento ou reconcilie um relacionamento. O jejum de Isaías 58 começa no secreto, mas seus frutos precisam aparecer na maneira como tratamos as pessoas.
“Não fique apenas sem alimento. Fique sem aquilo que alimenta sua velha natureza e alimente tudo o que aproxima você de Deus.”
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