SÉRIE — BATALHA ESPIRITUAL E AUTORIDADE — 3ª SEMANA — A AUTORIDADE QUE EXISTE NO NOME DE JESUS
Lucas 10:17 “Senhor, até os demônios nos obedecem pela sua autoridade!”
A autoridade que Jesus nos dá não nos torna independentes dele. Ela nos ensina a permanecer perto dele.
A autoridade que Jesus nos dá não nos torna independentes dele. Ela nos ensina a viver em seu nome, debaixo de sua Palavra. — Ap. Daniel Junior
INTRODUÇÃO: É POSSÍVEL FALAR O NOME DE JESUS SEM CONHECER A AUTORIDADE DE JESUS
Uma pessoa pode repetir o nome de Jesus muitas vezes e ainda não compreender o que significa viver sob o seu senhorio. Pode orar com intensidade, conhecer frases usadas em uma batalha espiritual e, mesmo assim, continuar tentando enfrentar a vida com as próprias forças.
Como, então, temos autoridade espiritual? Precisamos alcançar um nível de fé em que nunca sentimos medo? Precisamos saber fazer uma oração específica?
Em Lucas 10, Jesus enviou seus discípulos para anunciar o Reino de Deus. Quando eles voltaram, estavam admirados com o que havia acontecido: até os espíritos malignos se submetiam a eles. Jesus confirmou que lhes havia dado autoridade, mas também percebeu o que aquela experiência poderia produzir no coração deles.
Por isso, sua resposta fez duas coisas ao mesmo tempo. Ele confirmou a autoridade que havia concedido e corrigiu o lugar onde os discípulos estavam colocando a alegria. Antes de se impressionarem com o que conseguiam fazer, precisavam se lembrar de quem os havia chamado e a quem pertenciam.
Lucas 10:17–20 nos ensina de onde vem a autoridade, como devemos exercê-la e por que nosso relacionamento com Jesus é mais importante que qualquer manifestação de poder.
1. “PELA SUA AUTORIDADE”: O PODER NÃO COMEÇA EM NÓS
“Quando os setenta e dois discípulos voltaram, relataram com alegria: ‘Senhor, até os demônios nos obedecem pela sua autoridade!’” Lucas 10:17
Os discípulos voltaram felizes, mas disseram algo que não podemos deixar passar: “pela sua autoridade”. Eles haviam sido enviados por Jesus. Anunciaram a mensagem que ele lhes confiou. Agora, ao contarem o resultado, reconheceram que a autoridade vinha dele.
No versículo 19, Jesus confirma: “Eu lhes dei autoridade.” O sujeito da frase é Jesus. É ele quem envia. É ele quem concede. É ele quem governa.
Isso responde a uma dúvida comum. Quando um cristão pergunta “Como posso ter autoridade?”, muitas vezes está pensando no que ainda lhe falta: talvez orar por mais tempo, conhecer mais palavras ou se tornar alguém que nunca sente medo. Mas o texto primeiro nos leva a olhar para Cristo. Nossa confiança não está na força que conseguimos produzir dentro de nós. Está naquele que nos chamou para segui-lo.
Pense em alguém que recebe uma notícia difícil e, naquele instante, é tomado pelo medo. O coração dispara, os pensamentos se confundem, e a pessoa nem sabe por onde começar a orar. Ela pode simplesmente dizer: “Jesus, eu estou com medo. Ajuda-me a confiar em ti e a fazer o que é certo agora”. Essa oração sincera não é fraca porque foi feita em voz baixa. Ela expressa dependência.
A Bíblia não nos ensina a negar a existência do inimigo. Pedro diz que devemos permanecer atentos e resistir-lhe, firmes na fé (1 Pedro 5:8–9). Mas nossa atenção não deve se transformar em fascínio pelas trevas. O centro da nossa fé continua sendo Jesus.
A autoridade espiritual não começa quando deixamos de sentir medo. Ela começa quando, apesar do medo, nos voltamos para Cristo e obedecemos à sua Palavra.
Talvez você esteja tentando vencer uma batalha sozinho. Ora quando não aguenta mais, mas passa o restante da semana decidindo tudo sem ouvir a Palavra de Deus. Lucas 10 nos convida a fazer o caminho inverso: aproximar-nos de Jesus, escutá-lo e caminhar sob sua direção.
O pecado ainda não havia dominado Caim quando Deus falou com ele. Havia tempo para parar, ouvir e mudar. Mas Caim alimentou a comparação, recusou a correção e permitiu que a ira contra sua própria reprovação se voltasse contra Abel. O primeiro homicídio da Bíblia começou em um coração que não aceitou ser confrontado.
Quem reconhece de onde vem a autoridade não precisa fingir que é forte o tempo todo.
2. “EU LHES DEI AUTORIDADE”: O NOME DE JESUS NÃO É UMA FÓRMULA
“Eu lhes dei autoridade para pisarem sobre cobras e escorpiões, e sobre todo o poder do inimigo.” Lucas 10:19
Jesus deu autoridade aos discípulos para a missão que lhes havia confiado. As imagens de cobras e escorpiões fazem parte de sua promessa de proteção diante do poder do inimigo. O sentido do texto não é nos incentivar a procurar perigos ou provar nossa fé. Jesus está ensinando os discípulos a cumprir a missão confiando nele.
Esse detalhe é importante porque alguém pode ouvir “autoridade no nome de Jesus” e pensar que o nome dele funciona como uma fórmula: basta pronunciá-lo e tudo acontecerá exatamente como desejamos. Mas o nome de Jesus não é uma palavra mágica. Seu nome aponta para a pessoa de Jesus, sua autoridade e seu senhorio.
Atos 19:13–16 mostra o perigo de tratar o nome de Jesus dessa maneira. Alguns homens tentaram expulsar um espírito maligno invocando “Jesus, a quem Paulo anuncia”. Eles tinham ouvido falar do que acontecia por meio de Paulo e tentaram repetir suas palavras. A tentativa terminou de forma desastrosa.
A passagem não foi escrita para deixar o cristão com medo de orar caso ainda tenha fraquezas. Se fosse assim, quem de nós poderia se aproximar de Deus? O episódio mostra o perigo de tentar usar o nome de Jesus como um recurso, sem se voltar para o próprio Jesus.
Existe uma diferença entre dizer “Jesus, faça a minha vontade” e orar “Jesus, governe a minha vida”. A primeira atitude tenta colocar o poder de Cristo a serviço dos nossos desejos. A segunda reconhece que somos nós que precisamos nos render a ele.
Tiago apresenta um caminho claro: “Portanto, submetam-se a Deus. Resistam ao diabo, e ele fugirá de vocês. Aproximem-se de Deus, e Deus se aproximará de vocês.” Tiago 4:7–8
Perceba a sequência: submeter-se, resistir, aproximar-se. Resistir ao mal inclui oração, mas também inclui obediência. Se uma mentira tem dominado seus pensamentos, você precisa confrontá-la com a verdade da Palavra. Se um hábito tem afastado você de Deus, precisa parar de alimentá-lo e buscar ajuda. Se o orgulho o impede de reconhecer um erro, precisa se humilhar diante do Senhor e pedir perdão a quem feriu.
Isso não significa que conquistamos autoridade por sermos perfeitos. Nossa autoridade vem de Cristo. A submissão é a resposta de quem reconhece que ele é Senhor. Não faz sentido pedir que Jesus governe uma batalha enquanto insistimos em reservar para nós o governo de todas as decisões.
O nome de Jesus deve ser pronunciado com fé e reverência. E essa fé se torna visível também quando obedecemos ao que ele já nos mostrou.
Há batalhas nas quais você precisa orar. E há decisões que precisam mudar depois que você termina de orar. — Ap. Daniel Junior
3. “ALEGREM-SE PORQUE SEUS NOMES ESTÃO REGISTRADOS NO CÉU”: PERTENCER A JESUS É MAIOR QUE TER UMA EXPERIÊNCIA
“Mas não se alegrem porque os espíritos impuros lhes obedecem; alegrem-se porque seus nomes estão registrados no céu.” Lucas 10:20
Jesus não disse que o relato dos discípulos era falso. Também não negou a autoridade que lhes havia dado. Ele corrigiu o centro da alegria deles.
Os discípulos estavam maravilhados com o que haviam visto. Jesus os chamou a se maravilhar com algo ainda maior: Deus os conhecia, e eles pertenciam ao seu Reino.
Essa correção protege nosso coração. Se nossa segurança depende de uma experiência poderosa, o que acontece quando oramos e não vemos uma resposta imediata? Se nossa identidade depende de sermos conhecidos como pessoas de autoridade, como reagimos quando ninguém nos vê ou nos reconhece?
Jesus não queria discípulos apaixonados pelo poder e distantes dele. Queria discípulos que se alegrassem com a salvação recebida e permanecessem fiéis em qualquer circunstância.
Em João 15:4–5, Jesus usa uma imagem simples: o ramo precisa permanecer ligado à videira para dar fruto. Separado dela, não consegue produzir por si mesmo. O relacionamento com Cristo, portanto, não é apenas uma preparação para enfrentar batalhas espirituais. É a própria vida que recebemos dele.
Permanecer em Jesus acontece nos dias comuns. É abrir a Palavra quando ninguém está olhando. É conversar com ele sem tentar impressioná-lo. É reconhecer um pecado sem procurar desculpas. É obedecer numa decisão pequena, cuidar de alguém que precisa de ajuda e voltar para perto dele quando percebemos que nos afastamos.
Talvez você tenha buscado tanto uma demonstração de poder que deixou de cultivar a presença de Jesus. Talvez saiba discutir batalha espiritual, mas já não separa tempo para ouvi-lo. O convite do Senhor hoje é para voltar ao centro.
Nossa maior segurança não está no que as trevas sabem a nosso respeito. Está no fato de que Jesus nos conhece e nos chama a permanecer nele.
CONCLUSÃO: A AUTORIDADE TEM UMA FONTE, UM CAMINHO E UM CENTRO
Os discípulos voltaram impressionados porque os espíritos malignos se submetiam a eles. Jesus os ensinou a olhar mais fundo.
“Pela sua autoridade” nos mostra a fonte: tudo começa em Jesus. “Eu lhes dei autoridade” nos lembra que não podemos transformar seu nome em uma técnica a serviço da nossa vontade. “Alegrem-se porque seus nomes estão registrados no céu” coloca nosso coração no lugar certo: antes de qualquer experiência espiritual, somos chamados a pertencer a ele.
Talvez hoje você esteja diante de uma luta que parece grande demais. Você não precisa inventar uma força que não tem. Aproxime-se de Jesus. Conte a ele o que está acontecendo. Leia sua Palavra e dê o passo de obediência que ela pede.
Talvez a sua oração precise ser simples: “Jesus, eu tenho tentado controlar tudo. Quero voltar a depender de ti”. Faça essa oração com sinceridade. Depois, viva de acordo com ela.
A autoridade que existe no nome de Jesus nos leva à oração, à obediência e à confiança. Quanto mais compreendemos quem ele é, menos precisamos provar quem somos.
PRÁTICA PARA A SEMANA
Durante esta semana, leia Lucas 10:17–20 e João 15:4–5. Separe alguns minutos por dia para apresentar a Jesus uma luta concreta. Em seguida, pergunte diante da Palavra: “Qual atitude de obediência essa situação pede de mim?”
Anote sua resposta e dê um passo possível ainda nesta semana. Pode ser abandonar uma prática, pedir perdão, procurar aconselhamento, retomar seu tempo de oração ou conversar com alguém que precisa de apoio.
Ao final, não avalie a semana apenas pelo que aconteceu ao seu redor. Pergunte também: “Estou mais perto de Jesus? Tenho aprendido a confiar nele e a obedecer à sua voz?”
PRÁTICA PARA A SEMANA
Escolha uma situação em que você tem reagido com medo ou tentado resolver tudo sozinho. Durante esta semana, apresente-a a Jesus em oração e leia Lucas 10:17–20. Em vez de apenas pedir que a situação mude, pergunte: “Jesus, como posso
